E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.” João 6:35

A história de Daniel é marcada por várias narrativas extraordinárias que aconteceram durante sua história no período em que se manteve cativo na Babilônia. São episódios fantásticos que demonstram a atuação do poder de Deus em sua vida.

Uma dessas histórias narra como o jovem judeu recém chegado ao palácio real babilônico se manteve comprometido com as leis estabelecidas por Deus ao seu povo. No evento em que isso se segue, o leitor é introduzido ao momento em que Daniel juntamente com outros jovens que agora serviriam à corte de Nabucodonosor, se encontra diante de um banquete oferecido pelo rei aos seus novos súditos. Conforme a história narrada, o mesmo banquete seria servido ao rei, demonstrando que aqueles homens não estavam participando de uma refeição costumeira do dia a dia… era o mesmo alimento que o rei consumiria, com todos os seus manjares e primícias.

O fato de Daniel conhecer a lei do Senhor e saber que a mesma restringia determinados tipos de alimentos dependendo dos ingredientes ou do modo de preparo, colocou-o diante de duas opções: consumir a comida e ignorar os preceitos divinos ou obedecer a lei e abrir mão das delícias postas na mesa. Daniel tinha duas opções e uma certeza: era impossível agradar a dois senhores… ele teve que escolher um.

Conforme narra o texto, Daniel se manteve firme em seu propósito em obedecer a Deus e por essa razão solicitou ao cozinheiro uma refeição mais simples, porém condizente com suas leis. Ao final de dez dias, ele e seus amigos que se propuseram a não se contaminar, aparentavam mais robustez que os demais.

Hoje, o mesmo Deus de Daniel, nos apresenta um novo cardápio. Conforme vemos nos evangelhos, Cristo se anuncia como o pão da vida, o pão que desceu do céu, a água viva e ainda é categórico ao afirmar que aquele que dele beber e comer jamais sentirá fome ou sede. Estamos sentados à mesa com a refeição servida, mas ao contrário de Daniel, vemos um movimento antagônico ao seu, onde o pão servido tem sido cada vez mais temperado com caprichos mundanos, desejos egoístas e valores divergentes ao evangelho de Cristo.

O pão que nos alimenta garante o sustento pois ele é nutritivo e saudável. É ele que nos enche diante de um mundo cada vez mais faminto, sedento por algo que preencha e que na falta do pão, acaba elaborando temperos e condimentos que dão bons sabores mas não fortalece ao que come.

Por inúmeras vezes somos tentados a utilizar o tempero desse mundo degenerado, tentando unir o santo com o profano para sentirmos outros sabores, trocando uma refeição que sustenta por outra que só tem sabor. É importante avaliar nossas ações para não repetirmos a atitude dos judeus recém libertos do Egito, que diante da nova condição de povo liberto, preferiram comparar o maná que os sustentavam com os alimentos da terra que os oprimia, deixando de desfrutar daquilo que o Senhor havia preparado para eles.

Nosso pão celestial está sempre a mesa e assim como Daniel, devemos nos fortalecer e robustecer a cada dia com aquilo que o Senhor tem nos oferecido, numa ação de gratidão sincera e consciente, lembrando sempre que o nosso pão não deve ser apenas para consumirmos, mas principalmente para repartirmos com outros.

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